quinta-feira, 17 de maio de 2012

PARTE O1 - Go, dream, go!


- Oi! Eu sou a Yuu-chan. - Disse a estranha em frente a sala repleta de garotos que,espantados, a olhavam . (...)

Sakuranbo Elementary School era uma escola projetada especialmente e somente para garotos. Toda sua estrutura era voltada para o público masculino. Não havia alunos e nem mesmo funcionários do sexo oposto.  Era composta por dois prédios que separavam duas turmas distintas. Havia nela toda uma estrutura de clube e era repleta de atividades extra-curriculares que serviam para manter os internos entretidos. 
A escola atendia garotos de 9 à 17 anos. A maioria estudava lá desde pequeno e tinha tido tão pouco contato com mulheres que chegava a chama-las de: caixinhas de segredos. 
Como o colégio era interno, eles passavam todo o seu período letivo na escola e, salvo raras exceções, passavam ali também suas férias. Mal viam suas mães ou qualquer outra mulher da família. Em geral, essa falta de contato com o outro ser proporcionou a muitos a escolha do homossexualismo como única fonte de contato extra casual. 
Alguns ainda se mantinham firmes a essa escolha e juravam de pés juntos que jamais iriam se juntar a um bando de viados. Entretanto, se rendiam aos encantos de um daqueles meninos afeminados ao extremo que, se não fosse por um pequeno empecilho, passariam facilmente como mulheres. Esses que procuravam somente o sexo, não assumiam que era no colo desses "afeminados" faziam sua fuga.
Outros, tão diferentes desses, procuravam o amor... E como única opção, o achavam em outros companheiros. No ensino médio, não havia os chamados "totalmente homens".

Amawano Yukkina era um choque para todos os presentes ali na sala. Inclusive para o professor. Como se não bastasse ela ser uma mulher diante daquele lugar que fervia em testosterona, ela também era linda. Sua aparência se destacava sobre as de muitas mulheres que apareciam em algumas revistas para adultos (essas adquiridas ilegalmente por alguns internos ). Olhos verdes escarlate, cabelos vermelhos como fogo, pele branca como a de uma boneca de porcelana e o corpo delicado davam-na a aparência de uma Deusa. Na verdade, assim que ela entrou pela porta da sala de aula imediatamente se tornou uma deusa. 
Assim que chegou para se apresentar aos novos colegas, tinha no rosto um sorriso que dava a ela uma aparência ainda mais bonita. Parecia se sentir muito confortável diante dos novos companheiros de internato. 
Um barulho tomou conta da sala assim que ela terminou sua breve apresentação. Aquela menina ali poderia ser a salvação. "Seria ela a chave de entrada para muitas outras?" Esse pensamento só agitava ainda mais os meninos.

Enquanto o professor tentava acalmar a sala, Yuu-chan parecia se divertir com o tumulto que havia provocado. Por dentro ela se deliciava. Adorava se sentir como uma celebridade, se sentir amada... No fundo sabia que ali seria uma verdadeira Deusa.
Enquanto se perdia nos próprios pensamentos, notou no canto da sala um rapaz que parecia alheio a tudo aquilo.
" Hmpf. Retardado... Parece ignorar a minha presença." Pensou enquanto sorria para o professor que, com os olhos, pedia desculpas por toda aquela balburdia. 
Antes mesmo da aula terminar, ela já havia virado uma celebridade por todo o prédio do ensino médio. No termino da primeira aula, foi atacada por um bando de garotos que dela tentavam tirar fotos e segurar suas mãos. Alguns mais ousados ainda tentavam puxar seus cabelos e levantar a saia que ela usava como uniforme. Ela apenas respondia com mais sorrisos. Sua aparência delicada se completava a sua personalidade adorável. Ela era, e sabia que era, o maior tesouro daquela instituição. 

sábado, 27 de agosto de 2011

É um domingo frio e com neve. Ela caminha sem rumo. As botas longas que vão até os joelhos, o casaco de lã comprado pela mãe, a saia dada pelas tias paternas e uma meia calça grossa. Todo esse conjunto especialmente escolhido para protege-la do frio e ao mesmo tempo dar-lhe certo estilo, delicadeza. As luvas dão o último toque especial.


É o mesmo domingo frio e com neve. Ele passou a noite inteira acordado na casa de alguns amigos. A festa durou até agora. Ainda está bêbado e com dor de cabeça. As roupas, até ontem a noite, eram bonitas. Agora ele só veste um moletom azul e preto, usa um pé de cada tênis,um é dele, o outro ele não tem idéia de quem seja. A calça Jeans está suja de bebida derramada sobre ele e vômito de garotas bêbadas, que ele e os amigos chamam de "vadias fracas". Essas meninas que querem ser descoladas, beber e ter vários namorados em uma só noite. Ele aproveita. É viciado em romances repentinos, desses que duram apenas algumas horas.
Dá uma última checada no celular, mais alguns números, mais algumas meninas esperançosas. Ele nunca vai ligar para elas. Não depois de ter conseguido o que queria. Distraído, ele caminha, sem saber, em direção ao parque. O sorriso aumenta a cada nome novo adicionado à sua lista de contatos. (Essa era loira, mas os pêlos eram bem pretinhos. Essa tinha belos olhos e se movimentava como uma puta). Cada detalhe da noite passada só trazia mais divertimento.



Ela para em uma cafeteria e pede um chocolate quente. Não imaginou que estaria tão frio assim. Paga ao moço do caixa, que sorri com malicia. Ela é dona de traços delicados e bem vistos por qualquer um. O problema é a mentalidade infantil. A pouca maturidade dela a impede de ter relacionamentos ou qualquer contato físico com alguém. O motivo dessa caminhada matinal solitária era exatamente esse. Ontem ela havia recebido uma declaração de um amigo muito querido e muito próximo. Todos diziam a ela sobre a paixão do rapaz, embora ela nunca tenha notado e sempre negava esse tipo de comentário absurdo. (É claro que ele não gosta de mim, vocês estão vendo coisas aonde não tem!). Mas ontem tudo mudou. Ele tinha se confessado e pior de tudo, ele acabou ficando irritado com ela. Disse coisas horríveis sobre ela ser uma idiota e sobre as coisas que ela fazia. Insultou o modo que a menina agia e a xingou de "falsa santa". Falou sobre a máscara que ela usava. Explodiu com ela e em cima dela. A menina não conseguia entender o motivo daquilo. Era pra ter sido bonito.
Para completar a cena, ela ficou com medo daquilo e saiu correndo. Deixando ele sozinho, em frente a um pátio todo. Já longe, ela ainda podia ouvir os gritos de raiva.
Naquele dia voltou pra casa chorando, amaldiçoando qualquer coisa. Trancou-se no quarto e não saiu mais. A mãe, que sempre ficava em cima dela e colocava a filha em uma bola de cristal, para que essa não conhecesse os perigos do mundo, chamou médicos. Entretanto, a porta do quarto não se abriu. Os médicos bateram, a mãe implorou, mas a garota não saiu do quarto. Só queria ficar sozinha. Ela e seus próprios pensamentos. Contudo, naquela casa ela não teve um segundo de paz. Por isso tomou a decisão de sair.
Já tinha tomado metade do chocolate quente, quando terminou de repassar a cena do dia anterior. Tudo aquilo doía muito e as lágrimas relutavam em cair. Por um tempo, chorou baixinho.


Enquanto ria de algumas de suas peripécias da noite passada, o garoto continuava a andar, sem saber exatamente pra onde. Quando percebeu, estava em frente de uma garota sentada no banco. Ela estava cabisbaixa, mas, pela cor do cabelo e das roupas, logo descobriu quem era.
▬ HAHAHAHAHAHAHAHA,NÃO FOI VOCÊ QUEM DEU UM FORA NO TAKESHI ONTEM? HAHAHAHAHAHAHA
Ele ria sem parar, aquela cena tinha sido realmente engraçada.
Ela levantou a cabeça apenas para ver quem falava com ela. Por mais raiva que estivesse sentindo naquele momento, seu coração bateu forte. Era Ryuji, o garoto mais popular e nojento da escola. Ela sabia de sua fama e de tudo o que ele já havia aprontado. E mesmo assim, alguma coisa lá no fundo batia mais forte.
▬ E-E-EU NÃO DEI UM FORA EM NINGUÉM! - Gritou desesperada, levantando de súbito do banco e apontando o dedo indicador para ele.
▬ Se aquilo não foi um fora, foi o quê? - Ele parou de rir, e sorrindo, ia de encontro a ela.
▬ B-b-bem.. E-eu não sei o que foi! Mas não foi um fora. - Ela abaixou a cabeça antes mesmo de terminar o que estava dizendo.
▬ Ná... Acontece, gatinha. - Ele se aproximou dela, de modo que a cabeça da garota já encostava em seu peito.
▬ HOOOOOMF~ Não me chame de gatinha! - Empurrou-o pra longe. Sua cara se fechou. Ela estava extremamente irritada com os comentários maldosos do rapaz e mais irritada ainda com a sua aproximação repentina.